Entrevista com os fabricantes: como é o planejamento de um novo modelo de ar-condicionado?

Entrevista com os fabricantes: como é o planejamento de um novo modelo de ar-condicionado?

Nesses nove anos de portal WebArCondicionado já escrevemos sobre diversos temas do segmento de climatização. Durante esse tempo, diversos lançamentos de produtos já estamparam nosso blog, mas veio a pergunta: como são planejados esses novos modelos de ar-condicionado? Como uma marca identifica que é necessário um novo modelo de aparelho? Conversamos com alguns fabricantes de ar-condicionado e responderemos essas e outras perguntas sobre o tema:

Quais itens são levados em consideração para ser criado um novo modelo de ar-condicionado?

De acordo com a Gerente de Produtos Home Confort da Electrolux, Mariana Marcondes, as novidades estão sempre focadas no desejo e necessidade dos consumidores. “Realizamos pesquisa com os consumidores praticamente todos os dias do ano, pois consideramos que é fundamental ouvi-los. Não lançamos no mercado nenhum produto cuja aprovação não tenha sido igual ou superior a 70% dentre todos os entrevistados durante o processo de pesquisa, e as tendências e necessidades identificadas durante o processo são avaliadas e se possíveis, inseridas nos modelos”.

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Segundo Vinícius Amaral, Gerente de Marketing da Komeco, “necessidade do consumidor, tecnologia, ciclo de vida do produto e concorrência” são os principais itens analisados pela marca.

Já a unidade brasileira da Fujitsu nos respondeu que “infelizmente não temos como colaborar com a pesquisa, uma vez que nosso departamento de engenharia de desenvolvimento fica em nossa matriz no Japão e não temos acesso aos projetos”.

Como a empresa identifica que precisa de um novo modelo?

 

“O departamento de R&D constantemente busca por inovações que atendam às necessidades dos consumidores. Diversas pesquisas são conduzidas com frequência para produzirmos novos modelos”, diz Carlos Estevam, da LG.

Para Mariana Marcondes, da Electrolux, pesquisas que analisam os produtos da empresa, dos concorrentes e as tendências de mercado ditam os rumos da marca. “Nossa área de Consumer Insight realiza essas analises que também são avaliadas pelas equipes de R&D, Design e Marketing. Estamos sempre atentos à aceitação dos produtos que temos atualmente em linha e também ao que nossos concorrentes estão fazendo”.

De acordo com Vinícius Amaral, a metodologia de desenvolvimento de novos produtos da Komeco é flexível. “Há casos em que a necessidade vem do setor comercial através dos gestores ou representantes. Em outros momentos, a necessidade é percebida pelo setor de engenharia ou pelo próprio P&D, através do acompanhamento do mercado. Depois da necessidade levantada, faz-se análise de custos x retorno e aceite do mercado através de estudo do ciclo de vida do produto para mensurar o retorno do investimento”.

Segundo João Carlos Antoniolli, na Johnson Controls Building Efficiency (YORK) “a demanda é identificada pela área comercial e aplicação. A avaliação é ser feita em conjunto com a área de marketing de produto e marketing estratégico”.

Quanto ao design dos aparelhos, quais pontos são levados em consideração para a criação?

Para o Gerente de Marketing da Komeco, os critérios observados são amplos. “Fazemos um levantamento da concorrência juntamente com a percepção da evolução dos eletrônicos de forma geral, como celulares, geladeiras, micro-ondas etc. Analisa-se os materiais empregados, cores e acabamentos. Além disso, faz-se análise da aceitação do mercado daquele novo formato junto a um grupo pré-selecionado de pessoas”.

De acordo com o Coordenador de Aplicação de Produtos da Johnson Controls Building Efficiency (YORK), “são levados em consideração vários parâmetros técnicos de performance, ruído, tamanho, peso, volume. Típico trabalho de benchmarking”.

Segundo a Gerente de Produtos Home Confort da Electrolux, criatividade e inovação estão entre os pilares da fabricante. “Quando falamos de design no processo de produção dos eletrodomésticos e condicionadores de ar da Electrolux, procuramos por soluções que atinjam plenamente as cinco dimensões que o design deve atender: funcionalidade, usabilidade, estética, sentido e sustentabilidade, sendo assim relevante para a sociedade no momento em que se encontra”.

Quais as regras básicas que um novo modelo deve suprir?

Conforme João Carlos Antoniolli, da Johnson Controls Building Efficiency (YORK), “um novo modelo deve atender as normas vigentes, sejam nacionais ou internacionais, e deve passar por várias etapas de qualificação antes do lançamento”.

Já para Carlos Estevam, da LG, “para o desenvolvimento de novos produtos, a marca leva em consideração diversos e rigorosos padrões de qualidade. Tudo isso para garantir que o consumidor adquira um produto de alta qualidade com durabilidade e segurança”.

Mariana Marcondes, da Electrolux, diz que “o novo modelo deve atender as expectativas dos consumidores com um alto grau de confiabilidade, entrega das funções, baixo consumo de energia, boa relação custo/benefício, além de um design atual e harmônico com os ambientes”.

Para Vinícius Amaral, da Komeco, “eficiência, qualidade técnica, boa estética e intuitividade são os requisitos exigidos pela marca”.

Qual a atenção dada ao fator consumo de energia na criação de um aparelho?

De acordo com a Gerente de Produtos Home Confort da Electrolux, “a economia de recursos e também com o bolso do consumidor são algumas das dimensões que norteiam a marca na criação de novos modelos de ares condicionados. Prova disso é que os principais modelos de nosso portfólio possuem classificação A de consumo de energia e todos seguem as especificações do Inmetro”.

Para o especialista em ar condicionado da LG, “a eficiência energética é um fator muito importante no desenvolvimento de novos produtos da marca”.

Segundo a Johnson Controls Building Efficiency (YORK), o consumo é um dos principais focos da empresa. “É nossa prioridade total o consumo de energia, no qual normalmente se busca certificação A, pelo selo Procel. No final, se busca o equilíbrio entre custo e benefício”, diz o Coordenador de Aplicação de Produtos da fabricante.

Para o Gerente de Marketing da Komeco, a eficiência energética é uma das premissas do desenvolvimento de novos produtos pela fabricante. “Isso está diretamente relacionado à evolução tecnológica desse mercado, como por exemplo, a utilização do gás R-410A e da tecnologia inverter. Estamos trabalhando para que toda a linha de condicionadores de ar possua, pelo menos, esses dois itens. Nas máquinas menores isso já é uma realidade. E essa alteração nas tecnologias tende a fazer parte de todos os produtos do segmento no decorrer dos anos. Será uma evolução natural e nós já estamos nos antecipando quanto a isso”.

Depois de criado o modelo, quais normas legais ele deve atender?

De acordo com o Inmetro, “todos os aparelhos de ar condicionado, fabricados no Brasil ou importados, devem atender ao regulamento compulsório, com requisitos de segurança elétrica e eficiência energética. Portanto, para serem comercializados no país, devem atender ao regulamento vigente”.

O Engenheiro de Produto da Komeco, Eder Kuntze, explica que “os condicionadores de ar Split estão sob a Portaria n.º 007, de 04 de janeiro de 2011 (INMETRO), a qual determina obrigatoriedade de ensaios de Capacidade e Eficiência Energética e também ensaios de Segurança elétrica, antes da comercialização dos produtos e anualmente. O Selo Procel é concedido pela ELETROBRAS a um modelo de condicionador desde que o resultado Eficiência Energética seja classificado em “A”.

Qual o prazo entre a definição de que um aparelho novo deve ser criado até a sua comercialização?

Segundo Mariana Marcondes, da Electrolux, “o processo de criação de um produto varia de um a dois anos”

Já para João Carlos Antoniolli, da Johnson Controls Building Efficiency (YORK), “dependerá da complexidade de cada projeto e dos recursos disponíveis. Um prazo típico é de 12 a 18 meses”.

Fonte: WebAr

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